Com R$ 5,4 bi, Banco Mundial vai financiar a descarbonização da indústria brasileira em parceria com BNDES

O Banco Mundial vai financiar a transformação de setores estratégicos da indústria brasileira por meio de projetos de descarbonização, aproveitando a vantagem competitiva do país em energia renovável. A parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) prevê R$ 5,4 bilhões (US$ 1,06 bilhão) em novos financiamentos, sendo R$ 5,15 bilhões (US$ 1 bilhão) do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e R$ 309 milhões (US$ 60 milhões) do Fundo de Tecnologias Limpas (CTF). A expectativa é que a iniciativa mobilize outros R$ 9,2 bilhões (US$ 1,8 bilhão) em recursos públicos e privados.
Os recursos serão destinados a projetos de descarbonização de cadeias industriais intensivas em energia, como aço, cimento, produtos químicos, alumínio e vidro, além do desenvolvimento de combustíveis de baixo carbono, como combustível sustentável de aviação (SAF), e-metanol e biometano. A operação também viabilizará a implantação de infraestrutura de uso compartilhado para novas cadeias de energia limpa, incluindo estruturas de armazenamento e transporte de hidrogênio verde e amônia.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, lembrou que o BNDES não realizava operações diretas com o Banco Mundial desde os anos 1990. “O Brasil tem uma vantagem competitiva que poucos países têm: uma matriz energética majoritariamente renovável. Essa vantagem pode ser transformada em capacidade industrial, inovação, produtividade e empregos de qualidade. A parceria com o Banco Mundial envolve instrumentos para financiar tecnologias novas, reduzir riscos e atrair o capital privado necessário para acelerar a transição da indústria brasileira”, acrescentou Mercadante.
A iniciativa está estruturada em três frentes. A primeira concentra os investimentos em produtos industriais de baixo carbono, voltada a empresas de setores de elevada intensidade energética na adoção de tecnologias capazes de reduzir emissões sem comprometer a competitividade. A segunda frente é voltada para combustíveis de baixo carbono, com financiamento de projetos relacionados a SAF, e-metanol, biometano e outras soluções destinadas principalmente à descarbonização dos transportes aéreo e marítimo. A terceira contempla infraestrutura de uso compartilhado, permitindo que diferentes empresas tenham acesso a ativos necessários para o desenvolvimento de novas cadeias produtivas. A estratégia busca reduzir custos e barreiras de entrada e acelerar a expansão de tecnologias como hidrogênio verde e amônia.
Mobilização de investimentos – Além de financiar diretamente projetos, a operação busca reduzir os riscos dos investimentos pioneiros e criar condições para a entrada de novos investidores privados. A expectativa é que os projetos financiados pelo BNDES demonstrem a viabilidade comercial de tecnologias de baixo carbono e contribuam para o amadurecimento desses mercados. Segundo o Banco Mundial, a iniciativa contribuirá para a meta brasileira de reduzir em 30% a intensidade das emissões de gases de efeito estufa do PIB industrial até 2033.
“A matriz de energia limpa do Brasil é uma de suas maiores vantagens competitivas. Este projeto trata de transformar essa vantagem em um motor de transformação industrial, que reduza as emissões, atraia investimentos e crie empregos de qualidade nas indústrias do futuro. Ao trabalhar com o BNDES, estamos combinando o alcance do principal banco de desenvolvimento do Brasil com a experiência global do Banco Mundial”, afirmou Cécile Fruman, diretora do Banco Mundial para o Brasil.
Tariye Gbadegesin, CEO dos Fundos de Investimento Climático (CIF), destaca iniciativas que apostam no uso da energia limpa como uma plataforma para as indústrias do futuro. “A experiência brasileira tem mostrado como a descarbonização industrial pode se tornar um motor de competitividade, crescimento e empregos”, declarou.
*As informações são da Agência BNDES de Notícias.
