Biometano é alternativa eficaz a médio prazo, afirma presidente do Sistema Transporte

Na última semana, em Brasília, ocorreu o seminário “Logística Verde para Impulsionar um País mais Competitivo e Descarbonizado”, no dia 10 de setembro, promovido pelo Poder360, pelo MoveInfra e pela Abdib (Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base). Durante o evento, o presidente do Sistema Transporte, Vander Costa, destacou que o setor precisa adotar múltiplas soluções para avançar na agenda da descarbonização, apontando o biometano como uma alternativa eficaz e inteligente a médio prazo.
Em painel realizado no seminário, Vander Costa afirmou que transformar o gás metano em combustível gera ganhos ambientais significativos. “É um ganho para o meio ambiente a retirada do gás metano que seria emitido para a atmosfera, refiná-lo e utilizá-lo como combustível”, disse.
O executivo acrescentou que a coleta de lixo pode se tornar uma fonte estratégica para esse aproveitamento, com investimentos viáveis em usinas, e ressaltou que a solução é mais rápida do que a eletrificação, que depende de infraestrutura mais robusta.
O presidente também destacou a importância da renovação da frota. “Um caminhão novo emite até 95% menos poluentes do que um veículo de mais de dez anos de uso”. Reforçou, contudo, que não existe uma solução única para o desafio da descarbonização. “Para nós, políticas públicas devem considerar diferentes caminhos. São vários nichos de atuação, e precisamos explorar todos eles”, afirmou.
Entre as propostas apresentadas, Vander Costa defendeu investimentos em transporte público de qualidade e em multimodalidade, lembrando que o debate sobre emissões não deve se restringir a caminhões e ônibus. “A CNT está finalizando um inventário de emissões de carbono do setor de transporte para obter dados mais consistentes. Os resultados desse levantamento serão apresentados na COP30, como contribuição para o debate global sobre sustentabilidade”, anunciou.
Além de Vander Costa, o painel contou com José Luis Gordon, diretor de Desenvolvimento Produtivo, Inovação e Comércio Exterior do BNDES; Artur Watt Neto, diretor-geral da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis); e Guilherme Mattos, diretor comercial da Edge, que trouxeram diferentes perspectivas sobre os caminhos para a descarbonização do transporte.
O presidente da Abdib, Venilton Tadini, ressaltou que, embora a malha rodoviária brasileira seja extensa, sua densidade e qualidade ainda são baixas. Defendeu a ampliação e melhoria das estradas como forma de reduzir custos e emissões no curto prazo, mas alertou que os avanços dependem de orçamento público alinhado à estratégia e de políticas que estimulem a multimodalidade.
No painel, José Luis Gordon afirmou que a agenda verde é hoje prioritária para o governo e que o Brasil vem se consolidando como hub global nesse campo, atraindo empresas de 14 países interessadas em desenvolver tecnologias ligadas ao etanol e ao biometano.
Em outro momento, George Santoro, secretário executivo do Ministério dos Transportes, lembrou que projetos ferroviários exigem alto volume de investimento e não se viabilizam apenas com capital privado. Defendeu maior aporte público e ressaltou que, assim como os 15 leilões de rodovias previstos para este ano, o país precisa avançar também em concessões ferroviárias para atender às demandas do agronegócio.
*Com informações da Agência CNT Transporte Atual.
